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"A tua palavra é lâmpada que ilumina meus passos e luz que clareia o meu caminho" Ps 119:105

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"A tua palavra é lâmpada que ilumina meus passos e luz que clareia o meu caminho" Ps 119:105

A Marca que Deixamos

Writer: ledyanne silva
ledyanne silva
Sep 8
3 min read

Se as pessoas que te conhecem tivessem que te resumir em uma única palavra, qual seria? Não o seu cargo, não as suas conquistas, mas a característica que aparece toda vez que alguém interage com você. Qual seria?


Em uma das cartas mais curtas do Novo Testamento, o apóstolo João responde exatamente a essa pergunta sobre um homem que a maioria de nós nunca ouviu falar.


Seu nome era Gaio, em sua terceira carta, João começa dizendo que ouvira falar do testemunho de Gaio à verdade, e de como ele "andava na verdade".


Refleti sobre como o testemunho tem a ver com aquilo que realmente vivemos. Andar na verdade significa que a pessoa conhece, crê e vive de acordo. Isso também me lembrou de outra passagem das Escrituras, em Tiago, que diz que não devemos ser apenas ouvintes da palavra, mas praticantes dela. Alguém que anda na verdade é um crente íntegro, inteiro. Não há dicotomia; dentro dele há uma correspondência perfeita entre aquilo que crê e como vive.


Agora podemos perguntar: por que João elogia Gaio tão intensamente? O que fez João dizer que o testemunho dele correspondia à verdade? É interessante notar que João não elogia Gaio por suas grandes realizações. Ele não o elogia por ser conhecido ou ter "network" em círculos cristãos, por ser o líder mais carismático que atrai multidões, ou pelo número de posições e ministérios que ele lidera ao mesmo tempo, e por ter uma agenda eclesiástica sempre lotada.


O grande exemplo de Gaio consiste, simplesmente, em amar o próximo. A palavra diz:


"Amado, procedes fielmente em tudo o que fazes para com os irmãos, especialmente para com os estranhos, que diante da igreja testificaram do teu amor..."


Gaio era um irmão generoso e hospitaleiro. Ele ofereceu amor sacrificial aos outros. Sim, sacrificial: ele recebeu estranhos em sua casa, aqueles chamados a proclamar a palavra da verdade, que se recusavam a ser sustentados por pagãos. E isso carrega um peso. Tanto peso que, no versículo 8, João diz que devemos apoiar essas pessoas para que nos tornemos cooperadores da verdade. Demonstrando que podemos não estar no campo missionário ou no ministério pastoral, mas o nosso cuidado com os santos faz de nós cooperadores da verdade.


Agora preste bastante atenção nisso, pois vai abrir seus olhos para algo que talvez você não tenha percebido antes. Logo depois de elogiar Gaio, João o contrasta com Diótrefes que, de acordo com o texto grego, "amava ser o primeiro" (philoprōteuōn, de prōteuō): ele demonstra interesse próprio, espalha fofocas, não recebe os irmãos e ainda impede os que querem recebê-los.


Vale notar que essa mesma palavra grega por trás do desejo de Diótrefes, prōteuō, também aparece em Colossenses 1:18, mas ali é aplicada a Cristo, dizendo assim:

"Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência."


A preeminência, o lugar de "ser o primeiro", pertence somente a Ele. Portanto, quando a preeminência surge em nosso próprio coração, podemos reconhecê-la pelo que ela é: um desejo de tentar ocupar um trono que já tem um ocupante.


É por isso que a próxima instrução de João importa tanto. João nos dá uma instrução clara: imitar o que é bom, não o que é mau. Essa é a palavra de encorajamento e exortação para nós hoje. Não busque ganhar proeminência. Isso é mau.


Nosso primeiro modelo a imitar é o próprio Cristo. Mas ainda assim, como dito por Paulo em 1 Coríntios 11:1: "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo." precisamos de exemplos terrenos a seguir, mas preste atenção em quem você segue, e faça esta pergunta: "A quem essa pessoa está seguindo?"

E lembre-se de que todos nós somos exemplos para alguém também.


Generosidade como a de Gaio, quando é genuína, não acontece por acaso. Ela nasce em alguém que já sabe, no fundo, que é um filho amado, assim como nos tornamos em Cristo. Como João diz em sua primeira carta: "Nós o amamos porque ele nos amou primeiro" (1 João 4:19). Quem já foi amado assim, gratuitamente, aprende a amar assim também.


E você? Quando as pessoas pensam em você, que marca elas percebem? Talvez a pergunta certa não seja "como posso ser mais generoso", mas "tenho vivido consciente de que já sou profundamente amado?" Porque é aí que nascem as boas marcas que deixaremos.


Que a nossa oração seja a mesma de João por Gaio: que prosperemos em todas as coisas, assim como nossa alma prospera. Uma alma que já sabe, com certeza, que é amada.

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